Modelo de avaliação 360 para preencher: PDF pronto

O modelo de avaliação 360 está pronto, em PDF, e dá para usar hoje mesmo: baixar o modelo de avaliação 360. São duas folhas A4. A primeira vai para cada pessoa que responde. A segunda fica com quem conduz a rodada. A separação não é economia de papel: é o que mantém a resposta honesta.

Resumo para quem tem pressa

  • O PDF acima tem duas folhas: a folha do respondente e a folha de consolidação.
  • A folha 1 traz 12 comportamentos observáveis em 4 competências, escala de frequência de 5 pontos e 2 perguntas abertas.
  • A folha 2 compila a média por perspectiva (autoavaliação, líder, pares, liderados) e aponta a diferença entre elas.
  • As folhas ficam separadas de propósito: juntas, o anonimato quebra, e anonimato é a condição da resposta honesta.
  • A rodada inteira, do primeiro aviso à devolutiva, leva de três a quatro semanas.

Este modelo trabalha em cima da mesma base do guia completo de avaliação 360 graus, que explica o método, quem responde, quantos respondem e como devolver o resultado sem gerar defensiva. Este post não repete a teoria. Ele entrega o formulário e mostra o que fazer com ele na mão.

Modelo de avaliação 360 em PDF com duas folhas A4: folha do respondente com 12 comportamentos observáveis e folha de consolidação com a média por perspectiva, fundo âmbar escuro

Por que o modelo vem em duas folhas separadas

Resposta direta: as duas folhas existem para proteger o anonimato. Se o respondente recebesse um documento único, com a resposta dele e a consolidação de todo mundo juntas, daria para inferir quem escreveu o quê. A partir daí, a resposta deixa de ser sincera e vira diplomática.

A folha do respondente é individual e volta sem identificação. A folha de consolidação só existe depois que todas as respostas chegam, e nunca circula entre quem respondeu. É o que o guia do método chama de anonimato real, não prometido: apresentar o resultado agrupado por perspectiva, nunca por pessoa, e jamais repassar frase literal que identifique o autor pelo jeito de escrever.

Funciona. Quando a pessoa sabe que o que escreveu vai chegar misturado ao grupo, ela responde o que vê, não o que é seguro dizer.

Folha 1: o que vai para cada respondente

A folha do respondente tem três blocos: os campos da pessoa avaliada (nome, relação com ela e data), as 12 perguntas de comportamento e as duas perguntas abertas. No rodapé, o aviso de que as respostas são compiladas por grupo, nunca por pessoa.

Os 12 comportamentos estão agrupados em 4 competências, 3 perguntas cada:

CompetênciaComportamento na folha
ComunicaçãoExplica o contexto de uma decisão, e não só a decisão
ComunicaçãoAvisa com antecedência quando um prazo vai atrasar
ComunicaçãoResponde mensagens e pedidos em tempo razoável
Liderança e delegaçãoDeixa claro o que espera antes de o trabalho começar
Liderança e delegaçãoDelega tarefas inteiras, e não só as partes operacionais
Liderança e delegaçãoDá retorno sobre o trabalho entregue, mesmo quando está bom
ColaboraçãoCompartilha informação que ajuda outras áreas, sem precisar ser pedido
ColaboraçãoAssume a parte dele quando algo dá errado
ColaboraçãoEscuta discordância sem interromper
Execução e organizaçãoCumpre o que combina no prazo combinado
Execução e organizaçãoPrioriza o que é importante quando tudo parece urgente
Execução e organizaçãoMantém registro do que foi decidido nas reuniões

Repare no que nenhuma pergunta faz: julgar a pessoa. “Ele é confiável?” não aparece; “avisa com antecedência quando um prazo vai atrasar?” aparece. A primeira é opinião sobre caráter. A segunda é um fato que a pessoa viu acontecer ou não, e dá para responder sem sentir que está julgando ninguém. Essa é a regra do guia do método: pergunte sobre comportamento observável, nunca sobre traço de personalidade.

No fim da folha vêm as duas perguntas abertas. A primeira: “O que essa pessoa deveria continuar fazendo?” A segunda: “Qual uma mudança teria o maior impacto no trabalho dela?” A segunda é limitada a uma coisa de propósito. Pedir lista de melhorias produz lista; pedir uma coisa produz prioridade.

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A escala da folha do respondente

Cada comportamento é avaliado numa escala de frequência de 5 pontos: Nunca, Raramente, Às vezes, Quase sempre, Sempre. Ao lado, a coluna “Não sei dizer”.

A escala mede frequência, não qualidade. “Quase sempre” significa praticamente a mesma coisa para todo mundo; “4 de 5” não significa, porque cada pessoa tem uma régua própria para nota. E a opção “Não sei dizer” existe por um motivo: sem ela, quem não tem como observar o comportamento responde no meio, e o meio contamina a média.

Escala de frequência fecha com perguntas de comportamento. Você não pede para o respondente avaliar se a pessoa “é” organizada; pede para lembrar com que frequência ela entrega no prazo. Comportamento se conta, traço se supõe.

Folha 2: o que fica com quem conduz

A folha de consolidação só entra na história depois que as folhas 1 voltam. Ela tem quatro blocos:

  • A matriz de média por competência e perspectiva: Autoavaliação, Líder, Pares, Liderados, e a coluna Diferença.
  • A síntese das perguntas abertas: o que se repetiu em “continuar fazendo” e o que apareceu como “a mudança de maior impacto”.
  • As duas competências com maior diferença entre a autoavaliação e a percepção externa.
  • A mudança de comportamento combinada, com prazo.

A coluna Diferença é o coração da folha. Onde a autoavaliação e a percepção externa se separam é a área cega da pessoa: o que os outros veem e ela não. A consolidação existe para transformar uma pilha de papel em duas ou três linhas que nomeiam essa área.

O bloco final transforma a leitura em compromisso. A mudança combinada vira meta, e meta com prazo se escreve no formato SMART: específica, mensurável, com data. “Melhorar comunicação” não cabe na folha; “avisar com antecedência quando um prazo vai atrasar, a partir de hoje, nas reuniões de segunda-feira” cabe. A devolutiva que transforma isso em conversa tem técnica própria, no post sobre como dar feedback no coaching.

Como aplicar a rodada com o modelo na mão

O modelo não aplica sozinho. A ordem dos passos muda o resultado, e o erro mais comum é começar imprimindo.

  1. Defina para que serve, e diga isso. Desenvolvimento ou decisão de carreira. A resposta muda conforme o uso, e quem responde precisa saber.
  2. Escolha os respondentes com a pessoa avaliada. Ela indica, você confere se há mistura de perspectivas e se não ficou só gente próxima. De seis a dez respondentes costuma bastar.
  3. Envie a folha 1 para cada respondente. O aviso antes de enviar conta: explique o objetivo, o anonimato e quanto tempo leva. Questionário que chega de surpresa é respondido com pressa.
  4. Dê uma semana de prazo e um lembrete no terceiro dia. Prazo maior não aumenta resposta, só adia.
  5. Compile na folha 2, por perspectiva, nunca por pessoa: o que os pares disseram, o que os liderados disseram, o que o líder disse, com a autoavaliação ao lado.
  6. Devolva ao vivo, na próxima sessão. Relatório por e-mail sem conversa é a forma mais rápida de produzir reação defensiva.

O passo 6 não é formalidade. É onde o modelo vira processo, e é o passo que quase todo mundo corta quando a agenda aperta. Aqui entra um dado que muda a condução: uma meta-análise de 24 estudos longitudinais de feedback multifonte concluiu que a melhora média ao longo do tempo é pequena (Smither, London e Reilly, 2005). A melhora aparece quando o resultado indica com clareza que a mudança é necessária, quando a pessoa percebe a necessidade, acredita que a mudança é viável, define metas e age. Só a primeira condição está no instrumento. As outras cinco estão na devolutiva e no acompanhamento, que é onde a maioria dos processos de 360 termina.

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Na prática: a avaliação 360 não é um formulário que você envia. É um processo de três a quatro semanas que você conduz, e o formulário é a matéria-prima. Para você, coach, isso significa uma coisa: o papel decide muito menos do que a conversa depois do papel.

Perguntas frequentes sobre o modelo de avaliação 360

Como usar o modelo de avaliação 360?

Baixe o PDF e imprima as duas folhas. A folha do respondente vai para cada pessoa que avalia; a folha de consolidação fica com você. Siga a ordem da rodada: definir o propósito, escolher respondentes, enviar, dar uma semana, compilar por perspectiva e devolver ao vivo.

Quantas pessoas respondem ao modelo?

De seis a dez respondentes costuma bastar. Abaixo de seis, o anonimato fica frágil e a pessoa avaliada consegue adivinhar quem escreveu o quê. Acima de dez, cada resposta nova acrescenta menos e o custo de coordenar cresce.

O que perguntar numa avaliação 360?

Comportamentos observáveis, nunca traços de personalidade. O modelo traz 12, divididos em 4 competências: comunicação, liderança e delegação, colaboração, execução e organização. Exemplo: “avisa com antecedência quando um prazo vai atrasar?”, em vez de “ele é confiável?”.

Qual escala usar na avaliação 360?

Escala de frequência de 5 pontos: Nunca, Raramente, Às vezes, Quase sempre, Sempre, com a opção “Não sei dizer” ao lado. Frequência significa a mesma coisa para todo mundo; nota de qualidade, não. E quem não tem como observar não deve responder no meio, porque o meio contamina a média.

Por que o modelo tem duas folhas separadas?

Para preservar o anonimato. Se respondente e consolidação viessem juntos, daria para inferir quem escreveu o quê, e a resposta ficaria cautelosa. Separadas, o respondente sabe que o que escreveu vai chegar misturado à perspectiva dele.

O anonimato na avaliação 360 é garantido?

É regra de condução, não promessa no papel. O resultado é apresentado por perspectiva, nunca por pessoa, e nenhuma frase literal que identifique o autor é repassada. Quebrar isso uma vez faz a rodada seguinte inteira vir cautelosa.

Se você quer a versão digital da rodada, a avaliação 360 da SistemizeCoach coleta a percepção de vários avaliadores e devolve o consolidado ao profissional, compilado por perspectiva. São 15 dias de teste grátis em sistemizecoach.com.

O PDF está aqui e é seu. Imprima a folha do respondente em quantidade, guarde a de consolidação para você e conduza a rodada com a ordem deste post na cabeça. O modelo entrega o formulário. A honestidade da resposta vem da separação das folhas, e o resultado vem da conversa depois. É isso que transforma papel em processo.

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