Exercícios Para Sessão de Coaching: Como Criar Tarefas Que Seu Coachee Realmente Faz

Exercícios Para Sessão de Coaching: Como Criar Tarefas Que Seu Coachee Realmente Faz

TL;DR: O que você vai encontrar neste artigo**

  • O gap entre “tarefa dada” e “tarefa feita” não é preguiça do coachee. É design ruim do exercício.
  • Cinco princípios que fazem uma tarefa grudar: tamanho, clareza, relevância, variedade e consequência leve.
  • Formatos que funcionam mais que “escrever uma lista”: áudio de 2 minutos, pergunta única, foto do ambiente, micro-ação.
  • Como montar sua biblioteca pessoal de exercícios sem virar refém do PowerPoint toda semana.

Você termina a sessão animado. O coachee saiu com um plano de ação claro. Três tarefas definidas. “Na semana que vem a gente revisa.”

Aí chega a sessão seguinte e… nada. O coachee não fez. Ou fez pela metade. Ou pior: fez correndo 10 minutos antes do encontro, só pra não chegar de mãos vazias.

Isso não é incomum. Acontece com coach iniciante e com coach experiente.

Mas aqui vai a má notícia: o problema quase nunca é o coachee. É o design do exercício.

Eu já desenhei tarefa ruim. Muita. Já pedi “lista de 10 crenças limitantes” pra um coachee que mal conseguia identificar uma. Já mandei “escreva seu propósito de vida” como tarefa de uma semana. Funcionou? Claro que não.

O que eu aprendi em 8 anos fazendo isso é que exercício entre sessão tem engenharia. Tem princípio. E quando você acerta o design, a taxa de execução pula de 40% pra mais de 80%. É isso que este artigo entrega.

Se você quiser entender a estrutura completa de onde esses exercícios se encaixam no processo, veja nosso guia de estrutura de sessão de coaching.

Por que a maioria das tarefas morre entre uma sessão e outra

A resposta curta: porque o coach desenha tarefas enormes, vagas ou chatas. Às vezes as três coisas juntas.

Pensa comigo. Você tem um coachee que trabalha 10 horas por dia, tem filho pequeno, faz academia e ainda tenta ter vida social. Aí você manda ele “refletir sobre seus valores fundamentais e escrever um parágrafo para cada um dos 8 valores identificados”. Isso é tarefa ou castigo?

O erro clássico do coach (eu incluso, por muito tempo) é achar que tarefa boa = tarefa profunda. Não é. Tarefa boa = tarefa que o coachee faz. Profundidade sem execução é só uma ideia bonita que morreu na nota de celular.

Tem três vilões aqui:

  1. Tamanho desproporcional. Se a tarefa não cabe em 15 minutos, ela não cabe na vida real do coachee. Ponto.
  2. Falta de clareza brutal. “Trabalhe seu autoconhecimento esta semana” não é tarefa. É slogan. O coachee precisa saber exatamente o que fazer, como e por quê.
  3. Formato único. Se toda semana a tarefa é “escreva”, você perdeu o coachee cinestésico, o auditivo e o visual. E perdeu também o coachee que simplesmente cansou de escrever.

Tem um quarto fator, mais sutil: falta de conexão visível com a meta. Se o coachee não entende como aquele exercício empurra a agulha na direção que ele quer, ele procrastina. Faz sentido?

Os 5 princípios para criar exercícios que grudam

Depois de errar muito, cheguei em cinco princípios. Eles não são teóricos. São o que sobrou depois de testar, falhar e ajustar com dezenas de coachees.

1. Cabe em 15 minutos

Se a tarefa exige mais que 15 minutos diários (ou 30 minutos no total da semana), a chance de execução desaba. A vida do coachee já é cheia. Você não está competindo só com a preguiça dele: está competindo com o trabalho, o trânsito, o jantar, o cansaço das 21h.

Não é que o coachee não quer fazer. É que 45 minutos de “journaling profundo” simplesmente não cabem numa terça-feira comum. E na quarta também não. E na quinta muito menos. Aí chega sexta e a culpa bate, mas a energia não.

Regra prática: peça algo que dê pra fazer no intervalo do café ou enquanto espera o micro-ondas. Sério.

2. Instrução à prova de interpretação

“Observe seus padrões de comportamento” é uma instrução que 10 coachees interpretam de 11 jeitos diferentes.

Troque por: “Toda vez que você sentir vontade de adiar uma decisão, anote num bloco: (a) qual era a decisão, (b) o que você fez em vez disso, (c) como se sentiu 10 minutos depois.”

Viu a diferença? A segunda versão tem gatilho (sentir vontade de adiar), ação específica (anotar 3 coisas), e formato definido (bloco de notas).

O coachee não deveria gastar energia mental decifrando o exercício. Ele deveria gastar energia executando o exercício.

3. Conexão visível com a meta da sessão

Toda tarefa precisa responder a uma pergunta que o coachee faz (mesmo que silenciosamente): “Por que eu estou fazendo isso?”

Se você não responde essa pergunta na hora de passar a tarefa, o coachee vai responder sozinho. E a resposta tende a ser “sei lá, o coach pediu”. Aí já era.

Sempre encerre a atribuição da tarefa com uma frase conectando ao objetivo: “Isso vai te dar clareza sobre quais clientes ideais você já tem na sua rede, mas não está enxergando.”

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4. Variedade de formato

Tem coachee que escreve. Tem coachee que fala. Tem coachee que desenha. Tem coachee que precisa se mexer.

Se você só pede tarefa escrita, está deixando performance na mesa com 3 em cada 4 coachees.

Alterne entre:
– Áudio (grave 2 minutos sobre X)
– Visual (tire foto de Y, faça um rabisco de Z)
– Corporal (experimente a postura W por 5 minutos antes da reunião)
– Social (pergunte para 3 pessoas sobre T)

A variedade não é só inclusão de estilos. É também quebra de monotonia. A décima tarefa escrita seguida tem zero chance de empolgar alguém.

5. Consequência leve (mas real)

“Se não fizer, não tem problema” é a sentença de morte de qualquer exercício.

Não estou falando de bronca ou punição. Estou falando de expectativa clara de retorno. A sessão seguinte começa revisando a tarefa. Sempre. Se o coachee sabe que vai ter que falar sobre o que fez (ou não fez), a execução sobe naturalmente.

Funciona como check-in, não como cobrança. “Como foi a tarefa da semana?” já cria responsabilidade suficiente. Não precisa de mais que isso.

Formatos que funcionam melhor que “escrever uma lista”

Listas são o arroz com feijão do coaching. Funcionam. Mas enjoam.

Aqui estão cinco formatos que testei e que consistentemente geram mais engajamento do que o tradicional “liste 5 coisas”:

FormatoExemplo realPor que funciona
Áudio de 2 min“Grave um áudio explicando sua decisão como se estivesse contando pra um amigo”Obriga a organizar o pensamento sem a trava da página em branco
Foto do ambiente“Tire uma foto do seu espaço de trabalho hoje e mande antes da próxima sessão”Concreto, rápido, gera material rico pra sessão seguinte
Pergunta única para ruminar“Essa semana, toda vez que tomar café, se pergunte: isso me aproxima ou me afasta do que eu quero?”Âncora em hábito existente, não cria hábito novo
Micro-ação de 5 min“Mande mensagem para UMA pessoa da sua rede hoje dizendo que está em transição de carreira”Tão pequeno que a resistência interna não tem tempo de argumentar
Planilha de 3 colunas“SituaçãoO que pensei

O áudio é meu favorito pessoal. Já vi coachee que travava completamente com “escreva sobre seu bloqueio” destravar em 90 segundos falando. A voz organiza o pensamento de um jeito que a caneta não alcança.

E se você usa a roda da vida ou outras ferramentas visuais na sessão, a tarefa pode ser uma continuação direta: “pinte de novo a roda da vida imaginando como gostaria que estivesse em 6 meses, e me traga a foto.”

Como montar sua biblioteca pessoal de exercícios

Chega uma hora que criar exercício do zero toda semana cansa. E cansa rápido.

O que os coaches mais produtivos fazem é manter uma biblioteca pessoal: um conjunto de 20 a 40 exercícios testados, organizados por fase do processo. Aí na sessão você não cria. Você seleciona e adapta.

Categorização que funciona

Organize seus exercícios por fase do processo de coaching:

  1. Autoconhecimento: exercícios de exploração de valores, crenças, forças, pontos cegos
  2. Meta e direção: clareza de objetivo, definição de prioridades, visualização de resultado
  3. Ação e experimento: micro-ações, testes de comportamento, exposição controlada
  4. Reflexão e ajuste: registro de aprendizado, celebração de avanço, recalibragem de rota

Cada exercício na sua biblioteca deve ter: nome, objetivo (1 frase), instrução exata, duração estimada e uma nota de quando funcionou bem.

Onde guardar isso

Já vi coach usando Notion. Trello. Google Docs. Planilha. Caderno físico. Qualquer coisa serve, desde que você acesse em 15 segundos durante a sessão.

A plataforma SistemizeCoach tem mais de 60 ferramentas visuais prontas (roda da vida, mapa de objetivos, avaliação 360°, check-in de humor, matriz de prioridades) que você pode atribuir como tarefa com um clique. O coachee recebe a ferramenta no app, preenche entre as sessões, e você vê o resultado antes mesmo do próximo encontro começar. Isso elimina o “esqueci de mandar o exercício” e o “perdi o arquivo que você enviou” numa tacada só.

Para um mergulho mais profundo em como medir se esses exercícios estão gerando resultado real, leia nosso guia sobre como medir resultados de coaching.

O que fazer quando o coachee não fez a tarefa

Vai acontecer. Com o melhor design do mundo, ainda vai ter semana que o coachee não entrega. E a sua reação nesse momento define se o processo continua produtivo ou desanda.

Primeiro: nunca comece com bronca. “Você não fez de novo?” fecha o coachee na hora. Em vez disso, normalize: “Acontece. Vamos entender o que rolou?”

Segundo: explore o bloqueio, não a desculpa. O coachee pode dizer “tive uma semana corrida”. Ok. Mas pergunta seguinte: “O que especificamente tornou essa semana diferente? A tarefa em si parecia grande? Não fazia sentido? Você esqueceu?”

Muitas vezes o “não fiz” revela mais informação útil do que o “fiz”. Um coachee que consistentemente não executa tarefas de autoconhecimento, mas executa as de ação, está te dizendo algo sobre o estilo dele. Preste atenção.

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Terceiro: recalibre o tamanho na hora. Se a tarefa original era inviável, diminua. “Ok, então para esta semana a versão reduzida: em vez dos 3 parágrafos, me manda 3 frases no WhatsApp até quarta. Pode ser?”

Quarto: se o padrão se repetir 3 vezes, redesenhe o tipo de tarefa. Talvez esse coachee não seja de tarefa escrita. Troque por áudio. Ou por foto. Ou por “me liga 5 minutos na quinta”.

Na prática: check-in sem julgamento

“Como foi com a tarefa esta semana?”

Se fez: “O que você percebeu fazendo isso?”

Se não fez: “O que atrapalhou? Vamos ajustar o tamanho ou o formato pra funcionar na sua rotina real?”

Zero culpa. 100% curiosidade.

FAQ: Dúvidas comuns sobre exercícios entre sessões

Posso usar os mesmos exercícios com coachees diferentes?

Pode. Deve. A biblioteca pessoal serve exatamente pra isso. O que muda é a adaptação ao contexto do coachee. Um exercício de “liste suas 5 maiores conquistas” funciona com um coachee trabalhando autoconfiança e com outro trabalhando transição de carreira. O debrief é que muda.

Com que frequência devo criar exercícios novos?

Se você está criando exercício novo toda semana, tem algo errado. A meta é ter um repertório de 20 a 40 exercícios testados que cobrem 80% das situações. Crie um novo quando nenhum dos existentes encaixar. Isso deve acontecer 1 vez a cada 2 ou 3 meses, não toda sessão.

O que fazer quando o coachee pede tarefa mais desafiadora?

Aumente a complexidade, não o tamanho. Em vez de “liste seus valores”, “para cada valor, descreva uma situação esta semana em que você agiu alinhado com ele e uma em que não agiu”. O tempo de execução continua razoável, mas a profundidade sobe.

Devo mandar a tarefa por escrito depois da sessão?

Sim. Sempre. O coachee sai da sessão com a cabeça cheia. Confiar que ele vai lembrar exatamente o que era pra fazer é um erro que eu cometi por anos. Mande um resumo de 3 linhas por WhatsApp, e-mail ou pelo app da plataforma. “Sua tarefa até quinta: gravar um áudio de 2 minutos respondendo: o que eu faria se o medo não existisse? Me manda antes da próxima sessão.”

Tarefa não cumprida várias vezes seguidas é sinal de que o coachee não quer mais o processo?

Não necessariamente. Pode ser sinal de que o formato não encaixa. Ou de que a vida realmente engoliu a rotina dele. Ou de que o objetivo do coaching perdeu clareza. Explore antes de concluir. E se for desinteresse real, o coachee geralmente vai verbalizar. Pergunte: “Como você está se sentindo em relação ao processo neste momento?” É mais útil do que deduzir.

Quantas tarefas por semana é o ideal?

Uma. No máximo duas, sendo uma principal e uma opcional. Três ou mais é ilusão de produtividade. O coachee já tem tarefas demais na vida. Não transforme o coaching em mais uma fonte de culpa.

Para concluir

O exercício entre sessões é onde o coaching sai do papo e vira transformação real. Mas ele só funciona se for desenhado pra caber na vida do coachee, não na nossa fantasia de coach superdisciplinado.

Tamanho pequeno. Clareza total. Conexão com a meta. Variedade de formato. E check-in sem julgamento na volta. Cinco princípios simples. Difíceis de aplicar com consistência. Mas quando você aplica, a diferença aparece.

Comece por um: na sua próxima sessão, reduza a tarefa que você daria normalmente pela metade. Metade do tempo. Metade dos passos. E veja o que acontece na sessão seguinte.

Ferramentas de sessão prontas para usar hoje

A plataforma SistemizeCoach tem mais de 60 ferramentas visuais (roda da vida, mapa de objetivos, avaliação 360°, check-in de humor, matriz de prioridades, e dezenas de outras) que você pode atribuir como tarefa de casa com um clique. O coachee recebe no app, preenche no celular entre as sessões, e o resultado aparece no seu painel automaticamente. Sem “esqueci de mandar”, sem “perdi o arquivo”, sem planilha por e-mail.

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