Como ler o relatório da avaliação 360 e fazer a devolutiva

Quem busca feedback 360 graus não quer a teoria do método: quer saber o que fazer com o relatório na mão. O método completo, com quem responde, quantos e a escala, está no guia de avaliação 360 graus. Este post é sobre a outra metade do trabalho: ler o relatório da Avaliação 360º da SistemizeCoach, elemento por elemento, e conduzir a devolutiva com a tela na frente.

Resumo para quem tem pressa

  • O relatório da Avaliação 360º mostra, por competência e por tipo de avaliador: a média, o total de votos, a distribuição de notas de 1 a 5, setas de melhor e pior, a linha da autoavaliação, a linha da média sem autoavaliação e um marcador quando um grupo se afasta da autoavaliação em mais de 1,5.
  • Cinco regras: a distribuição vale mais que a média; a seta é relativa; a distância de 1,5 é o ponto cego; cada pessoa tem a própria régua na escala; e o total de votos muda o peso da média.
  • A devolutiva com a tela na frente começa pelo que concorda, apresenta a distância como pergunta, escolhe UMA competência e fecha com comportamento observável e prazo.
  • A ferramenta é gratuita, não consome créditos e o profissional escolhe quando libera o resultado para o cliente.
Tela do relatório da avaliação 360 graus da SistemizeCoach, com barras de nota, seta e marcador de autoavaliação

O que a Avaliação 360º da SistemizeCoach devolve

A ferramenta aplicada na plataforma coleta a percepção de vários avaliadores e consolida tudo num relatório que o profissional lê antes da devolutiva. Ela é gratuita, não consome créditos e oferece 38 competências para escolher, além de nove avaliações pré-configuradas para executivos, líderes, profissionais de alta performance e gestores.

O fluxo tem cinco passos: vincular a ferramenta na ficha do cliente, configurar as competências, definir os avaliadores por e-mail ou por link compartilhado, esperar as respostas junto com a autoavaliação e conduzir a devolutiva com o relatório. No fim, o profissional escolhe o momento de liberar o resultado para o cliente. O relatório não sai sozinho: quem decide quando mostrar é quem conduz o processo.

Diferente da folha em branco do modelo para preencher e dos dois exemplos preenchidos, aqui o cálculo já vem pronto. O seu trabalho começa na leitura.

A tela do relatório, elemento por elemento

Cada competência tem um bloco na tela, e cada bloco mostra a mesma família de informações, sempre por tipo de avaliador. Saber o que cada elemento significa é o que separa uma leitura de uma olhada.

Elemento na telaO que ele mostraErro de leitura mais comum
Média do tipo de avaliadorA média das notas daquele grupo naquela competênciaTratar como nota absoluta em vez de comparação entre perspectivas
Total de votosQuantas respostas compõem aquela médiaTirar conclusão de grupo pequeno como se fosse grupo grande
Distribuição de 1 a 5Quantas pessoas deram 1, 2, 3, 4 e 5Olhar só a média e perder se é consenso ou conflito
Seta para cima ou para baixoA melhor e a pior avaliação daquele tipo de avaliadorLer seta como nota ruim em si, quando ela é relativa ao grupo
Linha da autoavaliação sobre a barraOnde o cliente se avaliou naquela competênciaComparar a autoavaliação com a média que já inclui a autoavaliação
Marcador de distânciaO sistema marca quando um grupo se afasta da autoavaliação em mais de 1,5Ignorar o marcador ou tratá-lo como acusação
Linha da média sem autoavaliaçãoA média de todas as avaliações excluindo a do próprio clienteUsar a linha errada na comparação com a autoavaliação
Status dos convitesQuem abriu o convite, quantas vezes abriu e quem ainda não respondeuFazer devolutiva com a rodada incompleta e sem perceber

Os avaliadores são agrupados por tipo, e o tipo é configurável. Você pode separar líder, pares e liderados, ou por qualquer outro critério que faça sentido para o caso. A comparação entre os grupos é parte da leitura: a mesma competência pode aparecer forte para um tipo e fraca para outro.

As cinco regras de leitura do relatório

Essas regras valem para qualquer relatório de 360, e valem de forma específica no da SistemizeCoach porque a tela mostra todos os elementos que elas pedem.

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1. A distribuição vale mais que a média. Duas competências podem ter média 3,0. Numa, todo mundo deu 3. Na outra, metade deu 1 e metade deu 5. A primeira é consenso, a segunda é conflito de percepção. São conversas completamente diferentes na devolutiva, e o relatório mostra as duas. Quase todo mundo olha só a média. A distribuição é o lugar onde a leitura começa.

2. A seta é relativa, não absoluta. A seta marca a melhor e a pior avaliação daquele tipo de avaliador, não uma nota ruim em si. Um 3,8 pode levar seta para baixo se o resto do grupo veio 4,5. E o mesmo 3,8 pode ser o melhor do grupo quando os outros vieram 3,2. Antes de comentar uma seta, olhe o conjunto que ela representa.

3. A distância de 1,5 é o ponto cego. Quando a média de um grupo se afasta da autoavaliação em mais de 1,5, o sistema marca. O grupo avaliou acima da autoavaliação: há uma força que a pessoa não reconhece. O grupo avaliou abaixo: há um ponto cego, algo que os outros veem e ela não. Em qualquer dos dois casos, o marcador aponta onde a devolutiva rende mais.

4. A escala é numérica, e cada um tem a sua régua. Um 4 de uma pessoa não é o 4 de outra. Por isso o número absoluto vale menos que a comparação entre perspectivas. A linha da média sem a autoavaliação existe para isso: é ela que se compara com a linha da autoavaliação. A distância entre as duas é o dado.

5. O total de votos muda o peso. Média de 2 respostas não é média de 6. Um grupo com dois votos e média 2,0 não conta a mesma história que um grupo com seis votos e média 2,0. Diga isso para você antes de tirar conclusão, e diga na devolutiva quando for comentar um grupo pequeno.

Como o avaliador responde, e o que isso muda na leitura

Saber de onde o número veio ajuda a ler o número. Cada pergunta do questionário tem uma escala de 1 a 5, num controle deslizante que já começa em 3. O avaliador pode acrescentar uma observação escrita opcional em cada pergunta e, no fim, escreve em texto livre os pontos positivos e os pontos de melhoria.

O ponto de partida em 3 explica parte das médias que você vai ver: quem não quer pensar muito deixa o controle onde estava. Se um grupo inteiro ficou perto de 3, talvez não seja opinião formada, é a régua no meio. As observações e os campos finais de positivo e melhoria são o contrapeso: é ali que o comportamento concreto aparece, em frase de quem convive com a pessoa. Leia os dois campos antes de marcar a sua própria conclusão sobre uma competência.

A devolutiva com o relatório na tela

O guia do método já defende os princípios da devolutiva. Aqui eles viram passos concretos com a tela na frente.

Comece pelo que concorda. Onde a autoavaliação e as outras perspectivas batem, a pessoa relaxa. A leitura começa no primeiro bloco em que a distância é pequena, não no marcador mais assustador.

Apresente a distância como pergunta, não como veredito. Em vez de dizer o que o relatório acusa, diga o que ele pergunta: “você se avaliou 4 aqui e a equipe deu 2,5. O que você acha que eles veem que você não vê?” O trabalho é dela. A sua função é segurar a pergunta no ar.

Vale saber o tamanho do efeito antes de prometer transformação. A meta-análise de referência sobre feedback multifonte, de Smither, London e Reilly (2005), revisou os estudos empíricos do tema e encontrou melhora média pequena no desempenho. O ganho aparece quando a pessoa percebe a necessidade da mudança, acredita que ela é possível e define metas a partir do que leu. O relatório entrega o espelho; o resultado vem do que acontece depois dele, e é por isso que a devolutiva vale mais que a coleta.

Não defenda os avaliadores nem o instrumento. Discussão de nota é perda de tempo: o relatório não é um réu e você não é o advogado. Se o cliente disser que a nota é injusta, pergunte o que o levaria a discordar menos. Isso mantém a conversa na percepção, onde a 360 mora.

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Escolha UMA competência para trabalhar. O relatório inteiro é diagnóstico; o processo é sobre um ponto. A distribuição e as setas servem para encontrar o melhor candidato: a competência onde a autoavaliação e a percepção externa mais divergem e onde os avaliadores concordam entre si.

Feche com comportamento observável e prazo. No estilo de quem já domina o modelo de avaliação 360, a mudança vira cena e data: “avisar com antecedência quando um prazo vai atrasar, na reunião de segunda, por quatro semanas”. E marque a repetição da medição. Se precisar de repertório de conversa, o post sobre como dar feedback difícil no coaching mostra o caminho das frases.

A meta-análise de Smither, London e Reilly (2005), publicada na Personnel Psychology (DOI 10.1111/j.1744-6570.2005.514_1.x), revisou décadas de pesquisas sobre feedback multissource e chegou a uma conclusão direta: receber o relatório não melhora desempenho por si só. O que melhora é o que acontece depois, a reação da pessoa e a ação combinada na devolutiva. É por isso que a leitura do relatório não é um passo burocrático. É o momento que decide se a rodada inteira valeu.

Perguntas frequentes

O que a seta para cima e para baixo significa no relatório?

A seta marca a melhor e a pior avaliação daquele tipo de avaliador naquela competência. Ela é relativa ao grupo: uma média de 3,8 pode ganhar seta para baixo se o resto veio 4,5, e ser a melhor do grupo em outro bloco.

Quando o relatório marca a distância entre um grupo e a autoavaliação?

O sistema marca quando a média de um grupo se afasta da autoavaliação em mais de 1,5. Se o grupo avaliou acima, há uma força que a pessoa não reconhece. Se avaliou abaixo, há um ponto cego.

Como o avaliador responde às perguntas da avaliação 360?

Cada pergunta tem uma escala de 1 a 5 num controle deslizante que começa em 3, com observação escrita opcional. No fim, o avaliador escreve pontos positivos e pontos de melhoria em texto livre.

O relatório mostra quem ainda não respondeu?

Mostra. O profissional vê quem abriu o convite, quantas vezes abriu e quem ainda não respondeu. Isso impede devolutiva com rodada incompleta.

A avaliação 360 da SistemizeCoach é gratuita?

É. A ferramenta não consome créditos, tem 38 competências com 213 perguntas prontas e nove avaliações pré-configuradas para executivos, líderes, profissionais de alta performance e gestores.

Por que olhar a distribuição se a média já está no relatório?

Porque médias iguais escondem histórias diferentes. Duas competências com média 3,0 podem ser consenso (todo mundo deu 3) ou conflito (metade deu 1, metade deu 5). A distribuição mostra qual caso você tem diante de você.

Ler o relatório da avaliação 360 é um ato de preparação. A tela mostra o que os outros percebem, o que o cliente percebe de si e onde os dois se separam. O seu trabalho é transformar isso em uma conversa que termina com uma mudança combinada e prazo marcado. O relatório abre a conversa. Quem a conduz é você.

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