Método SMART: o que significa cada letra da sigla

Resumo para quem tem pressa

  • SMART é a sigla de Specific, Measurable, Attainable, Relevant e Time-bound: específica, mensurável, atingível, relevante e com prazo.
  • Cada letra responde a uma pergunta: o que acontece, como medir, dá para fazer, por que agora, até quando.
  • A tabela do próximo bloco é o glossário completo da sigla. Copie e use na sessão sem ler o resto.
  • O método nasceu em 1981, num artigo de duas páginas de George T. Doran na revista Management Review.

O método SMART é o filtro de cinco letras usado para transformar uma intenção vaga em meta com chance real de sair do papel. A sigla, em inglês, significa Specific, Measurable, Attainable, Relevant e Time-bound. Em português: específica, mensurável, atingível, relevante e temporal. Cada letra é um teste, e a meta só passa quando responde os cinco. O post Meta SMART: os 5 critérios e como aplicar detalha o funcionamento completo de cada critério. Este post vale pelo glossário: a sigla decodificada, letra por letra, pronta para virar material de sessão.

As cinco letras do método SMART com a pergunta que cada uma testa, em glossário

A sigla SMART, letra por letra

S de Specific, M de Measurable, A de Attainable, R de Relevant, T de Time-bound. O glossário abaixo resume o que cada letra exige, a pergunta que ela responde e um exemplo curto de aplicação em coaching. Guarde a tabela: ela é o artefato deste post.

LetraEm inglêsEm portuguêsA pergunta que respondeExemplo curto
SSpecificEspecíficaO que exatamente vai acontecer?“Subir a receita” vira “fechar 8 contratos de mentoria em grupo”
MMeasurableMensurávelComo você vai saber que chegou?“Melhorar a oratória” vira “apresentar 2 palestras com nota 8+ no feedback”
AAttainableAtingívelDá para fazer com o que você tem hoje?“Faturar R$ 50 mil em 30 dias” sem base vira “faturar R$ 12 mil”
RRelevantRelevantePor que essa meta e não outra?“Fazer natação” por pressão vira “nadar 6 km por semana para aliviar a lombar”
TTime-boundTemporalAté quando? Qual o próximo ponto de revisão?“Estudar inglês” vira “passar no TOEIC até 31 de dezembro”

A leitura da tabela é simples. Pegue a meta crua do cliente, aplique as cinco perguntas na ordem e reescreva a frase com as respostas dentro. O que sobra depois do filtro é a meta SMART. O que não responde a uma das cinco volta para a conversa.

S e M: o par que tira a meta do achismo

Específica e mensurável andam juntas porque as duas atacam o mesmo problema: meta que depende de interpretação. Sem elas, a sessão seguinte começa com cada um entendendo uma coisa diferente da mesma frase.

S de Specific: a meta que cabe numa frase

Uma meta específica descreve o resultado sem deixar margem para dúvida. “Quero crescer na carreira” não diz o que acontece no dia em que ela se cumpre. “Ser promovida a coordenadora da equipe de vendas” diz. Na sessão, a pergunta que resolve o S é curta: “o que exatamente muda quando essa meta acontece?”. Se o cliente responde com uma cena, está específico. Se responde com uma sensação, ainda não está.

O erro típico aqui é confundir específico com longo. Meta específica não é meta cheia de detalhes. É meta com um verbo de entrega visível e um contexto claro. Uma frase. Se precisou de um parágrafo, o cliente ainda não sabe o que quer.

M de Measurable: o número que separa quero de confiro

A letra M exige um sinal verificável de chegada. Pode ser número, pode ser evento, mas tem que ser algo que os dois olham e concordam: aconteceu ou não. “Aumentar a confiança” não passa. “Apresentar o projeto para a diretoria sem ler papel nenhum” passa, porque é verificável.

Tem um detalhe que separa a medida boa da medida decorativa: o valor inicial. “Subir a renda para R$ 8 mil” só faz sentido se o cliente sabe que está em R$ 5.500. Sem ponto de partida, o número vira torcida. Um bom exercício de sessão é pedir o número hoje, o número objetivo e a unidade de medida.

A e R: o par que impede a meta de ser fantasia

Atingível e relevante são as letras que a maioria pula, porque as duas exigem conversa desconfortável. A primeira confronta o tamanho do sonho. A segunda confronta a honestidade de quem sonhou.

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A de Attainable: entre o impossível e o frouxo

Uma meta atingível é possível com os recursos que a pessoa tem ou consegue conseguir. Não é a meta pequena. É a meta que não depende de milagre. “Perder 20 quilos em 2 meses” está fora do alcance saudável de quase todo mundo. “Perder 4 quilos em 2 meses” está dentro. A diferença não é motivação, é fisiologia.

Na sessão, o teste do A é pragmático: “o que você já tem a favor, e o que falta? Quem depende de você, além de você?”. Se falta tempo, dinheiro ou apoio, a meta precisa encolher ou mudar de prazo. Se a meta é fácil demais e não move nada, o problema é outro: ela não é uma meta, é uma formalidade. O ponto de equilíbrio é a meta que assusta um pouco e cabe na agenda.

R de Relevant: por que essa meta e não outra

A letra R exige que a meta importe para a pessoa, não para o ambiente. “Fazer curso de inglês porque o RH pediu” morre na terceira semana. “Fazer curso de inglês para negociar diretamente com clientes estrangeiros e sair da ponte de tradução” dura. A pergunta é dura: “por que essa meta, e não outra? O que muda na sua vida se ela for cumprida?”.

Se a resposta vem com convicção, siga. Se vem com encolher de ombros, pare. Meta sem relevância pessoal é a que mais gera o cliente que “esquece” a tarefa entre sessões. Não é falta de disciplina. É falta de dono: a meta é de outra pessoa, e o corpo dele sabe.

T de Time-bound: o prazo que obriga revisão

A meta temporal tem data, e a data tem função: criar ponto de revisão enquanto ainda dá tempo de corrigir. “Emagrecer” não tem revisão. “Emagrecer 4 quilos até 30 de setembro” tem: no fim de agosto o coach e o cliente olham o número e decidem o que ajustar.

Prazo curto funciona melhor que prazo longo. Meta de 12 meses só produz revisão quando já é tarde. Meta de 30 a 90 dias produz revisão cedo, com a caminhada ainda pela frente. Quando o cliente traz uma ambição grande, a pergunta não é “até quando?”, é “qual pedaço dessa ambição cabe em 90 dias?”. Esse pedaço vira a meta. O resto fica para o próximo ciclo, com revisão marcada.

O prazo também responde ao “quando” do plano de ação: cada passo precisa de data, não só a meta final. Sem isso, a meta temporal vira só uma meta com pressa.

Por que a sigla tem versões diferentes

Você vai encontrar o método SMART escrito de jeitos diferentes na internet. Uns dizem A de Achievable, outros de Attainable, outros de Assignable. Uns dizem R de Relevant, outros de Realistic. T de Time-bound, Time-based ou Timely. Não é erro de tradução: é a história do próprio método.

George T. Doran publicou a sigla em 1981, num artigo de duas páginas da Management Review chamado “There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives” (volume 70, número 11, páginas 35 e 36). No original, o A era de Assignable, sobre definir de quem é a responsabilidade pela meta, e o R era de Realistic. Com o tempo, versões focadas em desenvolvimento pessoal trocaram o A para atingível e o R para relevante.

E a versão brasileira consolidada, como aparece nos materiais de gestão e nas escolas de negócio, é a que usamos aqui: específica, mensurável, atingível, relevante e temporal, a mesma ensinada pela ESPM em seu guia de metas SMART. A letra importa menos que a pergunta. O que não pode é pular a pergunta.

Como usar o glossário na sessão

O glossário vira ferramenta de sessão em três passos. Primeiro, peça a meta crua, sem corrigir nada. Segundo, abra a tabela e aplique as cinco perguntas em ordem, uma por vez. Terceiro, reescrevam a meta com as respostas dentro da frase. Terminou quando a frase final couber em uma linha e responder as cinco perguntas sozinha.

O filtro é rápido demais para ser sessão inteira. Ele é o começo. Depois da meta reescrita, o trabalho muda de figura: transformá-la em passos com dono e prazo, como mostra o Planejamento SMART: do objetivo ao plano de ação. E se a conversa travar na hora de transformar a meta em ação, o caminho de ajudar o coachee a definir suas ações pede uma ação por vez até caber na semana.

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Uma observação honesta: o filtro SMART não serve para todo mundo em toda fase. Cliente em crise aguda, recém-saído de um baque, não precisa de meta com prazo. Precisa de estabilidade primeiro. Saber quando não aplicar o método é parte de usá-lo bem, e o post de 12 exemplos de metas SMART mostra o formato aplicado em situações variadas para você reconhecer onde ele encaixa.

O que isso significa para você: com o glossário na mão, você para de ensinar o método do zero em toda sessão. Você mostra a tabela, aplica as perguntas e reescreve junto com o cliente. O teste deixa de ser teoria e vira rotina, e a repetição é o que transforma um filtro de cinco letras em hábito profissional.

Perguntas frequentes sobre o método SMART

O que significa a sigla SMART?

SMART é a sigla em inglês de Specific, Measurable, Attainable, Relevant e Time-bound. Em português: específica, mensurável, atingível, relevante e temporal. Cada letra é um critério que a meta precisa atender.

Quem criou o método SMART?

George T. Doran, consultor e ex-diretor de planejamento corporativo, publicou a sigla em 1981 na revista Management Review, num artigo de duas páginas chamado “There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives”.

Qual a diferença entre atingível e relevante?

Atingível pergunta se a meta é possível com os recursos disponíveis. Relevante pergunta se ela importa de verdade para a pessoa. Uma meta pode ser perfeitamente possível e completamente irrelevante, e é esse o caso que morre na terceira semana.

O método SMART serve para metas pessoais ou só para empresas?

Serve para os dois. Ele nasceu no ambiente corporativo, mas os cinco critérios funcionam para qualquer meta com prazo e medida, de carreira a saúde. O ajuste é só na linguagem: na empresa o foco é resultado do time, na vida o foco é resultado da pessoa.

Por que minha meta SMART não sai do papel?

A causa mais comum é o filtro ter sido aplicado só na frase. A meta reescrita ainda precisa virar plano de ação, com passos, responsável e data para cada um. Sem plano, a meta SMART é uma frase melhor, não um comportamento.

Qual versão da sigla devo usar: Achievable, Attainable ou Assignable?

Use a que deixar a pergunta mais clara para o seu cliente. No original de Doran, de 1981, o A era de Assignable, sobre a responsabilidade. Nas versões modernas virou atingível. O importante é fazer a pergunta: “dá para fazer com o que você tem, e quem responde por isso?”.

Na SistemizeCoach, a meta mensurável não fica só na frase: ela vira campo com valor inicial, valor objetivo e unidade de medida, e o relatório de progresso mostra de onde o cliente saiu e onde está a cada sessão. São 15 dias de teste grátis em sistemizecoach.com.

A letra importa menos que a pergunta

O método SMART é uma sigla de cinco perguntas, e é isso que o torna útil: cabe no bolso e vira rotina. Específica, mensurável, atingível, relevante, temporal. Aplique as cinco na próxima meta crua que o cliente trouxer, reescreva a frase com as respostas, e depois transforme a frase em plano. A sigla não faz a caminhada por ninguém. Ela só garante que a caminhada começa no lugar certo.

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