Planejamento SMART: do objetivo ao plano de ação

Resumo para quem tem pressa

  • Planejamento SMART não termina na frase reescrita. Termina no plano de ação com passos, donos e prazos.
  • Baixe o modelo de plano de ação SMART (PDF de 1 página, pronto para preencher) e use na próxima sessão.
  • O filtro testa a meta com cinco perguntas. O plano responde a sexta: quem faz cada passo, e até quando.
  • Passo sem dono é o buraco mais comum de um plano. Na sigla original de Doran (1981), o A era de Assignable, de quem é a responsabilidade.
Plano de ação SMART em PDF: do objetivo ao plano com dono e prazo

A meta filtrada ainda é uma frase. Falta o plano

A sessão terminou com a meta reescrita nos cinco critérios. Específica, mensurável, atingível, relevante, com prazo. O cliente anotou e saiu motivado. Na semana seguinte, nada aconteceu.

Não é exceção, é o padrão. O filtro SMART corrige a frase, mas não executa. Execução é outra etapa, e é dela que trata o planejamento SMART: pegar a meta que passou no filtro e quebrá-la em passos, com dono e prazo para cada um.

Baixe o modelo antes de seguir: o plano de ação SMART em PDF tem uma página A4 com o objetivo do jeito que o cliente trouxe, a tabela dos cinco critérios com as perguntas, a meta reescrita, os campos de medição (valor hoje, valor objetivo e unidade de medida) e a tabela de 7 passos com as colunas Passo, Quem faz, Prazo e Feito. No topo, campos de nome, data e “revisão em”. Dá para usar na próxima sessão sem ler o resto do texto.

O filtro SMART em cinco perguntas

Se o cliente ainda não tem a meta reescrita, o filtro vem primeiro. São cinco perguntas, uma por letra:

LetraCritérioPergunta que testa
SEspecíficaO que exatamente vai acontecer, e onde?
MMensurávelComo você vai saber que chegou? Qual o número, ou qual o sinal?
AAtingívelVocê tem, ou consegue, os recursos para isso? Depende de alguém?
RRelevantePor que essa meta, e não outra? O que muda na sua vida se ela for cumprida?
TTemporalAté quando? E qual é a data do próximo ponto de verificação?

Estas são as mesmas perguntas impressas no PDF. O post Meta SMART: os 5 critérios e como aplicar explica cada letra com exemplos prontos e mostra as duas situações em que o método atrapalha mais do que ajuda. Aqui o foco é o que vem depois do filtro, então seguimos: a meta passou nas cinco, e agora?

Uma advertência antes de avançar: se a resposta do R não vier com convicção, pare. Meta específica, medida e com prazo, que a pessoa não defende quando você pergunta por quê, morre na terceira semana. Não há plano que salve.

Do filtro ao plano: a meta vira passos

A meta reescrita continua sendo uma frase. “Caminhar 30 minutos antes do trabalho, quatro vezes por semana, até dezembro” não diz o que acontece amanhã. O plano diz: quem faz o quê, em que ordem e até quando.

O quinto bloco do PDF é a tabela de 7 passos. Sete não é número mágico. É um limite que força o desmembramento e impede o plano de 20 linhas que ninguém olha. Cada passo tem quatro respostas:

  • Passo: a ação concreta, em verbo.
  • Quem faz: o responsável, por nome ou papel.
  • Prazo: data ou marco.
  • Feito: o campo que só se marca com evidência.

No exemplo da caminhada, a primeira linha não é “caminhar”. É “comprar o tênis”, “definir os quatro dias da semana”, “combinar o horário com quem vai junto”. Passos pequenos viram vitórias rápidas, e vitórias rápidas sustentam a meta. Sempre que a conversa empacar aqui, vale o caminho de ajudar o coachee a definir suas ações peça a ele uma ação por vez, até caber na semana.

Veja a diferença na prática. Meta do cliente: “contratar e treinar 3 pessoas para a equipe de vendas até outubro”.

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PassoQuem fazPrazo
Definir perfil da vaga e faixa salarialcliente1ª semana de setembro
Publicar a vaga em 3 canaiscliente4 dias depois
Triar currículoscliente e sóciasemana 2
Entrevistar 6 candidatosclientesemana 3
Aplicar teste prático de vendasclientesemana 3
Integrar os 3 contratadoscliente e RHaté 10/10
Rodar o treinamento de vendasresponsável pelo treinoaté o fim de outubro

Repare que quase todos os passos têm o cliente como responsável, e está certo: é a meta dele. Quando um passo depende de outra pessoa, o nome ou papel dela entra na coluna Quem faz. Foi assim que “contratar” saiu do papel e virou sequência.

A coluna “Quem faz” é a letra que sumiu da sigla

Por que dar tanta atenção a uma coluna? Porque ela é a única parte da sigla original que se perdeu no caminho.

Em novembro de 1981, George T. Doran publicou “There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives” na Management Review, volume 70, número 11, páginas 35 e 36. No artigo original, o A não era de atingível. Era de Assignable: definir de quem é a responsabilidade. A pergunta era “quem faz?”, não “é possível?”.

Na tradução para o mundo do desenvolvimento pessoal, o A virou atingível, o R virou relevante, e o “quem faz” saiu da conversa. Numa meta individual parece óbvio que o responsável é a própria pessoa. Quase nunca é só ela. “Organizar as finanças da casa” tem outra pessoa envolvida. “Delegar mais” depende de alguém aceitar receber. Uma meta sem dono explícito para cada parte tem um buraco, e é nele que o plano cai.

Plano sem dono não é plano, é lista de desejos. A coluna Quem faz precisa ser preenchida na sessão, em voz alta, com a pessoa confirmando. Se ninguém confirma, o passo não entra na tabela.

Como medir: valor hoje, valor objetivo e unidade

O quarto bloco do PDF pede três campos: valor hoje, valor objetivo e unidade de medida. É a parte do M que vira número, e é o que separa acompanhamento de torcida. Você já sabe que a medição é o que demonstra resultado de coaching sessão após sessão.

Se a meta é reduzir a conta de energia em 20% até novembro: valor hoje R$ 480, valor objetivo R$ 384, unidade reais. Na sessão seguinte a leitura é direta: quanto falta e em quanto tempo.

Nem tudo vira número, e tudo vira sinal. Se a meta é reduzir o clima tenso em casa, o indicador pode ser “uma semana sem discussão na hora do jantar”. É verificável sem ser numérico. O campo unidade de medida aceita qualquer sinal que se possa conferir.

Na plataforma SistemizeCoach, a meta mensurável tem valor inicial, valor objetivo e unidade de medida, exatamente como no PDF. A meta deixa de ser texto e vira número acompanhado por sessão: o relatório mostra de onde o cliente saiu e onde está. O trabalho do coach deixa de ser “confiar que está indo” e passa a ser olhar o número e perguntar o que ele explica.

Plano muda, meta também: a revisão em

O topo do PDF tem nome, data e um campo modesto: “revisão em”. Ele é a âncora do prazo curto. Meta de 30 ou 60 dias renovada quatro vezes funciona melhor que meta de um ano, porque cada renovação é ponto de correção. A “revisão em” agenda a volta desse ponto antes de a meta esfriar.

Revisar é olhar a coluna Feito. O passo que não foi marcado é conversa, não bronca: o passo era grande demais, o prazo era irreal ou o dono não era o dono. Ajusta o passo, ajusta o prazo, ajusta o dono, e segue.

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Tem cliente que troca de meta toda sessão. Antes de aceitar a frase nova, vale olhar o plano antigo. Na maioria das vezes o problema não é a meta: é um plano sem passos pequenos, sem dono ou sem prazo. Trocando a meta, o cliente só troca de buraco. O post sobre o coachee que muda de meta toda sessão trata exatamente desse caso, e a resposta quase sempre mora no plano, não no filtro.

Perguntas frequentes sobre planejamento SMART

O que é planejamento SMART?

Planejamento SMART é o processo de transformar uma intenção vaga em meta verificável (específica, mensurável, atingível, relevante e temporal) e, na sequência, em plano de ação com passos, responsáveis e prazos. O filtro corrige a frase; o plano executa.

Qual a diferença entre meta SMART e plano de ação?

A meta SMART é a frase reescrita com os cinco critérios. O plano de ação é a decomposição dela em passos com dono e prazo. A meta diz onde chegar; o plano diz quem faz o quê até quando.

O que significa o A de SMART?

Na versão mais difundida, o A é de atingível, ou alcançável. No artigo original de George T. Doran (1981), o A era de Assignable, de quem é a responsabilidade. A pergunta original era “quem faz?”, não “é possível?”.

Quem deve preencher o plano de ação SMART?

O cliente, com o coach conduzindo. Meta escrita pelo coach é cumprida pelo coach, o que não costuma acontecer. O papel de quem conduz é perguntar até cada passo ter dono, prazo e tamanho executável.

Uma meta SMART pode ser medida sem número?

Pode. A mensurabilidade aceita sinal quando o número não faz sentido: “uma semana sem discussão na hora do jantar” é verificável sem ser numérica. O que não pode é ficar sem sinal nenhum, porque aí ninguém sabe se chegou.

Por que metas SMART falham mesmo quando bem escritas?

Pela falta de plano: sem passos com dono e prazo, a meta filtrada volta a ser intenção. Também falham quando a pessoa não defende o R, o porquê da meta, ou quando o prazo é longo demais para gerar ponto de correção.

Quer testar esse fluxo completo numa sessão de verdade? A SistemizeCoach tem meta mensurável com valor inicial, valor objetivo e unidade de medida, acompanhada por sessão, dentro do relatório de progresso. São 15 dias de teste grátis em sistemizecoach.com.

O modelo cabe numa página, e é seu

Você já tinha o filtro. Agora tem o plano. O modelo em PDF junta os dois na mesma página: o objetivo como chegou, as cinco perguntas, a meta reescrita, a medição e os sete passos com dono e prazo. Meta sem plano é frase bonita. Plano sem dono é lista de desejos. Os dois juntos, com data de revisão, é o que separa a sessão que muda algo da sessão que só anota.

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