Pro bono, fazer ou não fazer?

Provavelmente se pensarmos em um dos maiores dilemas do mundo do coaching quando falamos em iniciar a carreira, certamente a questão do pro bono estará no topo.

Fazer ou não fazer pro bono?

Vamos explorar neste artigo os principais argumentos do universo do coaching, levando em consideração a opinião de grandes players em relação à pratica de processo de coaching pro bono, deixando a conclusão para a sua interpretação, depois daquilo que temos para apresentar.

O que é pro bono?

Pro bono é o procedimento adotado por alguns coaches iniciantes no mercado que consiste em fazer processos de coaching integralmente gratuitos.

Os principais objetivos e benefícios do pro bono são:

  • Ganhar experiência prática com o atendimento de mais pessoas;
  • Ganhar confiança no exercício e aplicação das técnicas de coaching em atendimento;

O grande dilema do pro bono está justamente na dificuldade que muitos coaches iniciantes no mercado têm em cobrar pelos seus serviços, seja pela falta de confiança em si mesmo ou no processo, ou pela dificuldade de cobrar pelo seu trabalho, baseado em diversas crenças, algumas até mesmo trazidas pelo mundo do coaching.

Os argumentos a favor do pro bono

Alguns experts do mercado, além de algumas instituições que ensinam a metodologia do coaching, usam o pro bono como uma estratégia que gera benefício para o coach iniciante – principalmente considerando os dois fatores já citados: falta de confiança e falta de experiência.

Se o coach não confia no processo, em si mesmo, ou no processo aplicado pelas suas mãos, a prática e a consequente visualização dos primeiros resultados de clientes tende a solidificar a confiança deste profissional coach.

Essa confiança vai gerar a energia necessária para o coach conseguir conquistar os seus primeiros clientes, agora confiante de que é capaz de gerar resultados. De fato, a quebra da crença no método ou no seu potencial próprio tende a se desmanchar quando o resultado acontece para seus primeiros clientes.

Outro argumento comum neste meio é de que o coach de agenda lotada, ainda que seja de clientes pro bono, sofrerá um efeito positivo da lei de oferta e demanda, precisando recusar eventuais clientes por já ter uma agenda lotada.

Ainda é considerado um efeito positivo do atendimento pro bono que os próprios clientes pro bono, em um gesto de gratidão, possam fazer depoimentos positivos sobre o coach e até mesmo indicar novas pessoas que possam vir a ser uma primeira onda de clientes pagantes.

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O lado negro do pro bono

Agora observando alguns aspectos negativos do atendimento em pro bono, vamos ver a visão de outras pessoas que desencorajam esta prática.

Um dos argumentos mais plausíveis sobre o pro bono é que os clientes não tem a responsabilidade e dedicação com o processo pro bono que teriam com o processo pago, onde houve um investimento financeiro – não é uma regra, mas tem validade.

Uma das maiores especialistas em coaching do país, que conta com um trabalho de mentoria de coaches, já citou que “os melhores clientes para começar são os pagantes e desconhecidos”, fazendo uma referência que convidar amigos e familiares para fazer um processo pro bono não gera a autoridade necessária para o coach.

Outros especialistas seguem na mesma linha de raciocínio, dizendo que o cliente pro bono não indica clientes pagantes, afinal não tem propriedade de falar o valor pago pelo processo, que foi zero, podendo ficar no seguinte discurso: “Eu fiz de graça! Converse com ele (coach) e talvez você também consiga o mesmo trabalho de graça”.

O atendimento de clientes no sistema pro bono também não gera resultados sobre a dificuldade de cobrar pelo serviço que boa parte dos coaches iniciantes têm em suas carreiras.

Esta é uma crença alimentada no próprio meio do coaching, quando é citado que o trabalho do coach é ajudar pessoas, e pode colidir com crenças internas do coach, gerando uma grande contradição: “Mas, se é para ajudar, como eu posso cobrar? Ajuda é gratuita…”

Então é preciso equilibrar essa equação para entender se realmente o processo de ganho de confiança no atendimento pro bono não vai gerar processos e crenças limitadoras sobre o atendimento pago.

Considerações Finais

De fato, a prática de um processo de coaching pro bono pode gerar diferentes efeitos para diferentes pessoas. Pode ser que você atenda clientes pro bono que te indiquem clientes pagantes.

Pode ser que você nunca precise, tendo um pouco de paciência até conquistar o seu primeiro cliente pagante, sem nem mesmo precisar fazer o pro bono, depois o segundo e em diante.

E ainda pode ser que você comece pelo caminho do pro bono e acabe nunca saindo deste ciclo de atendimentos gratuitos.

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Se você decidir seguir pelo caminho do atendimento pro bono, ainda pode utilizar estratégias que ajudem a driblar este ciclo. Um exemplo é adotar a regra de que os atendimentos pro bono são feitos apenas com 4 ou 5 sessões e sem apresentação de relatório final, onde o seu processo completo dura 10 ou 12 sessões com relatório ao final do processo.

Você também pode ter um limite de vagas para atendimento pro bono na sua agenda – então se você conseguir atender 10 clientes, pode ter até 3 vagas para pro bono – a sua agenda pro bono estará cheia.

Outra alternativa bastante interessante é a possibilidade de o cliente passar por um processo de coaching em grupo, com um valor mais acessível que o processo individual, e o coach ganha na quantidade de pessoas que ingressarem na proposta.

Se você não se sentir à vontade com a ideia do atendimento pro bono, não faça, mas tenha em mente que, se não conseguir cobrar nunca pelo seu trabalho, não terá como se sustentar, e não conseguirá ajudar ninguém.

Deixa de ser trabalho, vira hobby.

Neste caminho, você coach precisará tomar as suas decisões e trilhar o seu próprio caminho, e talvez o melhor para você seja silenciar a voz dos especialistas por um momento e entender para qual lado o seu coração aponta.

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